O
Piripiri que é quase o emblema da gastronomia calabresa, pertence à
família das solanáceas a qual possui 85 géneros para além de outras
2000 espécies entre as quais a capsicum , ou seja o
piripiri que na Calábria tem vários nomes “cancarillo”, “pipazzu”,
“riavulillu”, “pipibruscente”, “pipeddu” e “piperasta”.
Na
América e em particular na América Central era conhecido desde
tempos antiquíssimos: os historiadores situam-no em 5000 anos a.c.
Por outros caminhos ainda que misteriosos o piripiri teria chegado,
primeiro ainda que a descoberta da América, ao continente africano
onde se propagou de uma tribo à outra entrando assim nos hábitos
alimentares juntamente à mandioca e ao “”zigrini”.
Mas
não era conhecido na Europa e a sua importação para o Velho
Continente deve-se indubitavelmente a Colombo tal como é comprovado
pelo diário de bordo dos seus navios e chegou a Itália no seguimento
dos espanhóis em meados do ano
1500, onde se aclimatizou muito bem e difundiu rapidamente sobretudo
no sul e nas ilhas.
Mas
é sobretudo na Calábria e Basilicata que frutifica melhor do que
noutros lugares devido ao clima particularmente favorável. É na Calábria,
ao que parece, a região onde se regista o maior consumo, tanto assim
é que é mencionado na gastronomia nacional com o nome “piripiri
vermelho calabrês”.
Este
é utilizado no “suffrittu”, no “morseddu”, na “nduja”, na
“sardella”, no “ ragú” e noutros pratos típicos sem esquecer
o famosíssimo “olio santo”, o “pillole di Giove” a que se
atribui uma infinidade de poderes
medicamentosos.
Para
além do piripiri picante também chegaram da América pimentões
doces que Ocuparam um lugar de muito respeito na nossa cozinha com os
“ammuddicati”, o “peperonate”, o “caponate”, o “gianfotte”.
Um
contributo outro tanto importante é o do tomate também ele originário
da América Meridional, talvez do Peru ou do México, de onde deriva o
termo “tomate”, o qual designa em muitos idiomas europeus este
mesmo fruto.
Na
Europa, o tomate foi introduzido pelos Espanhóis e pelos Portugueses
em 1500 e difundiu-se rapidamente na bacia do Mediterrâneo
tornando-se um dos ingredientes mais utilizados quer em cru ( nas
saladas) quer cozido.
O
Contributo dado por este fruto à gastronomia da Calábria é
notável ainda que menos tipificado do que o do pipipiri.
“Um
outro fruto da terra que veio da América e que representou, através
dos séculos, um prato forte do nosso campo – prossegue o relator
– são os feijões, também eles originários do novo mundo e
introduzidos na Europa em ‘500.
Não
deverá enganar o facto de muitos autores latinos como Vergílio,
Colmella, Orazio, tenham escrito acerca do “faseolus” para
evidenciar que o feijão existisse desde o tempo da Roma Antiga.
Provavelmente os romanos, como os gregos conheciam uma outra espécie
totalmente diferente, como sugere Giuseppe Polimeri. Tratava-se da
“fava siriaca” a que chamamos “suriaca” e que se referia a um
tipo de feijão pequeno e preto vulgarmente conhecido por “fagioli
paesani”.
Hoje
em dia, todos os estudiosos estão de acordo em que esta leguminosa em
que esta leguminosa chegou da América no primeiro decénio de 1500,
primeiramente como planta ornamental e mais tarde entrou no uso
alimentar.”
Na
Calábria, constituiu, através dos séculos, um prato forte dos
camponeses que o comiam
na sopa, à noite, fosse de Inverno (feijões secos), fosse de Verão
( feijões frescos), todos ou quase todos os dias da semana excepto o
Domingo quando à mesa compareciam entre outros pratos as almôndegas.
Aqueles,
eram naturalmente, os parentes de festividade, a matança do porco e a
sexta-feira, quando era possível mas nem sempre, comia-se massa.
Outros,
para além do piripiri, do tomate, dos feijões e a batata é com o
milho, a planta alimentar de maior interesse que a América se fez
conhecer ao Velho Continente.
Originária
do Peru, da Bolívia e do México, é introduzida na Europa em meados
de 1500, conhecida e utilizada como planta ornamental, porém, bem
cedo passou ao uso alimentar onde se fez apreciar pelo seu alto valor
nutritivo e pelo seu fácil cultivo que assegurava com pouco trabalho
generosas colheitas.
Por
vezes, nos períodos de carestia e de guerra substituía-se ao pão,
vindo em auxílio da população esfomeada.
Também
na Calábria ocupa um lugar de primeiro plano na gastronomia, basta
citar as abundantes sertãs de batatas novas e piripiri fritos que os
camponeses consumiam a meio da manhã durante os trabalhos de campo de
primavera. Por seu lado, este entra como “co-ingrediente” na
salada de tomate.
È
pois na base do “gattò” de batatas que ainda que não seja
exclusivamente calabrês é para sempre um prato muito em uso na Calábria.
Cheguemos
ao milho, também ele introduzido na Europa a partir
do Novo Mundo como feito de Colombo. Alguns puseram em dúvida,
sem sucesso, esta origem argumentando que foram os Vikings que o
introduziram no Velho Continente. Mas esta hipótese não tem qualquer
fundamento. Por outro lado, a origem não deixará de ser americana se
localizada nos planaltos do México ou América do Sul. Pelo que o
nome “granoturco” se deveu a uma distracção na qual incorreram
os botânicos de ‘500 que confundiram o milho com o grão sarraceno.
Hoje,
na Calábria é pouco usado na cozinha mas há um tempo atrás era um
alimento muito importante pois com ele se confeccionava o pão dos
pobres devido ao seu baixo preço e ao seu alto valor calórico.
Está
presente na gastronomia calabresa com os “pizzati”, os
“paniculu” e os “curcusi” que se costuma consumir no Régio
como um ritual durante a vigília na noite precedente à da descida à
cidade da sagrada efígie de
N. Sra. Da Consolação. Um prato de que não nos podemos esquecer é
a polenta verde com bróculos e
abóbora, típica do Régio.
Outro
alimento que veio da América, importada por Cristóvão Colombo e
seus seguidores é a batata ou batata doce ou americana. Nas nossas
regiões os seu consumo é muito limitado e sobretudo destinado à
alimentação animal. Todavia, usa-se na cozinha ainda hoje, mesmo que
raramente, cozida ou frita a ligeiramente assada.
Da
mesma família da batata chegou-nos a batata “carciofi” , assim
chamada por causa do seu sabor ácido semelhante ao da alcachofra (
carcioforo). Também este fruto chegou da América e foi difundido a
partir do ano de 1500. Ainda hoje é utilizado provavelmente como uma
ornamental devido às suas flores semelhantes a margaridas amarelas.
Na
Calábria deu origem a um prato muito típico: “batatas
alcachofreiras ao mascisc”.
Ainda
um fruto importado dos espanhóis do México é
o figo da Índia difundido na bacia do Mediterrâneo.
O
Prof. Baccellieri conclui na sua interessante intervenção falando do
fruto da anona, espécie natural da cadeia andina peruana e boliviana,
onde frutifica até aos 2000 m de altitude: “ no nosso dialecto
diz-se “nona”, e está presente quase exclusivamente na província
de Régio, enquanto em Espanha é intensivamente cultivada.
No
fim desta rápida incursão sobre aquilo que a descoberta da América
trouxe à gastronomia calabresa